WhatsApp Image 2017-03-14 at 14.04.36“Não existe festa mais linda do que aquela que é preparada por Deus!”

Que outra festa melhor que essa – a Santa Missa – eu daria ao meu filho? Que amor maior que o amor de Deus eu conseguiria apresentar a ele? Para começar esse testemunho, eu poderia dizer que tudo aconteceu dia 24/02/2016, o dia em que o Leonardo nasceu. Mas não. Tudo aconteceu quando Deus sonhou com a minha vida e a vida do Tuka. Nos conhecemos na Comunidade Um Novo Caminho e, a partir desse encontro, Deus nos permitiu viver uma história que Ele havia sonhado e planejado para nós. Namoramos, noivamos, casamos. Vivemos momentos lindos, de escolhas, de construção de amor, de testemunhos de graças alcançadas, e também de espera, tentando sempre escutar a voz de Deus. Exercer a maternidade era um dos meus maiores sonhos. Quem me conhece sabe que sempre falei sobre esse desejo de engravidar, mas queria que prevalecesse a vontade de Deus. Nossa Senhora nos instruiu e nos conduziu, mostrando que era chegada a hora. Algumas pessoas já conhecem o meu testemunho da gravidez. O mês de maio de 2015, mês de Maria, nos serviu para rezar e escutar o que Deus queria de nós. Dia 06 de junho, após um jantar romântico, tudo poderia mudar. E mudou. Não esperamos nem duas semanas e já estávamos grávidos!

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Todos sabem que Leonardo foi muito sonhado, esperado, desejado! E, no dia 24/02/2016, às 18h40 de uma quarta-feira, ele chegou! Nosso Leonardo! Chorou baixinho, me olhou e eu senti uma paz que nunca havia sentido. Desceram as minhas primeiras lágrimas como mãe! Nesse primeiro olhar, ele já começou me mostrando que os laços de fita que imaginei usar numa menina iriam se desfazer com facilidade. Ele veio para me mostrar que hoje temos e usamos o mesmo laço. Mas não é o laço de colocar na cabeça, nas roupas, no enxovalÉ o laço de amor, aquele que não desata – é laço de amor de mãe e filho! Pedia muito a Deus para ser uma boa mãe e queria dar o meu melhor ao meu filho. Não o melhor materialmente falando, mas a minha entrega de coração a nossa relação, a melhor maneira de brincar e educar, o melhor sorriso, o melhor colo, o melhor de mim. Deus me pedia calma porque, já conhecendo minha necessidade de buscar a perfeição em tudo, me mostrava que, dessa vez, as coisas seriam diferentes. Para mim, ser mãe vai muito além de buscar a perfeição, mas, sim, saber lidar com a imperfeição, com a falta, com os espaços que nunca serão preenchidos, com as incertezas. É também ser completa e cheia de alegria plena, amar sem medidas. Tinha tomado a decisão de que faria tudo pelo meu filho, que me dedicaria o máximo que pudesse, que abriria mão de qualquer coisa por ele, que me transformaria de uma mulher de 30 anos com carinha de 20, com voz meiga, em uma leoa, que buscaria forças onde precisasse para lhe trazer o bem. Sempre sonhei em colocar meu filho no colo e o alimentar não somente com meu leite, mas sim com meu amor, carinho e qualquer outra necessidade emocional e física que eu pudesse lhe oferecer. Estava decidida a amamentar a todo custo, não para atingir uma expectativa social, mas o meu querer! Porém, não sabia o que Deus havia preparado para mim na vida real. Ao lembrar de tudo o que iria passar, porque Deus já havia falado comigo em oração, como Maria que sabia que o filho sofreria horrores para nos salvar, sentia um frio na barriga. Sentia que meu filho tinha vindo ao mundo para mim com o mesmo objetivo de Jesuspara me salvar. Me salvar daquilo que não tinha valor, para me ensinar aquilo que seria eterno e que vinha do coração de Deus. 

Preparei o quarto e o enxoval dele com tudo o que podia imaginar. A maternidade cheia e decorada, uma primeira roupa de veludo azul marinho com detalhes de fios na cor prata para ser apresentado às pessoas queridas que estavam lá para vê-lo. Mantas e fraldinhas tinham a inicial dele. Babados e detalhes bem exagerados. Sonhei que pegaria meu filho nos braços logo depois que ele nascesse, que ele viria vestido como um príncipe, para um quarto cheio de cuidados, com pessoas que iriam amá-lo para sempre, para uma mãe que acabava de se tornar alguém que estava prestes a desconstruir tudo aquilo que foi construído durante toda sua vida para escrever uma nova história. Tudo isso foi como disse antes: detalhes exagerados. Não era o que Deus queria para mim, não era o que Ele sabia que eu precisava e muito menos o que o meu filho precisava. Não era isso que iria sustentar o nosso amor! Era algo bem além que íamos precisar aprender juntos. Leonardo teve um desconforto respiratório e passou a noite na UTI. A presença de Nossa Senhora, mais uma vez, acalmou o meu coração e, em nenhum segundo, me preocupei. Só queria ver ele bem! Por conta disso, ele não pôde logo mamar e precisou tomar fórmula no hospital. Meu marido foi meu maior conforto e segurança. Nessa hora, percebi o tamanho da importância do confiar no outro. Ele serviu como um anjo de Deus para anunciar o que estava prestes a acontecer. Era o início! Início da nossa família, nossa mudança, nossa nova realidade. Léo não apenas mamou somente no dia seguinte, como só veio para o quarto, com a tão sonhada roupa de veludo azul, quando estavam faltando várias pessoas que queria que estivessem lá para vê-lo assim. O que isso me mostrou naquela hora? Que a roupa de veludo, as mantas, as iniciais, os babados, a decoração, o champanhe e todas as outras coisas não faziam mais o menor sentido. O sentido era ele estar bem, comigo, mamando. Vestido de veludo, sim. Entretanto, para mim e para o pai dele, o que transbordava em beleza era o nosso amor, nos mostrando que o maior valor está nas coisas mais simples. Fomos para casa no dia seguinte e, ali, foi selado um novo lar! Depois de três dias de vida, tudo estava indo muito bem. E, então, fomos surpreendidos por um situação bem delicada e desesperadora. Leonardo teve um engasgo na madrugada e quem estava presente eram o pai e a enfermeira, enquanto eu estava descansando para amamentar em breve. As provações estavam começando.

Dia 22 de março, ao pegar meu filho no colo, não precisava ter experiência como mãe para ver que ele estava com febre. Deus já havia me pedido para nunca esquecer do meu instinto de mãe. Preferi, então, medir a temperatura. O Leonardo estava com menos de um mês e com quase 39 graus de febre. Ele precisou tomar por cinco dias antibiótico injetável, numa pele que mal havia se formado, o que destruiu o coração de uma mãe que, também como sua pele, sensível e indefesa, precisava de forças para enfrentar toda aquela dor. Levamos o Léo à pediatra e ela suspeitou de infecção intestinal e, depois, de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Tratamos como se assim fosse. Leonardo melhorou da febre, porém, as fezes continuavam demonstrando a alergia e tirando a minha paz. Procuramos uma equipe médica para cuidar do nosso pequeno. Não queria que faltasse nada para ele, queria fazer o possível. Nessa hora, poder contar com o apoio da família fez toda a diferença! O que seria de nós sem eles? Mas o que sustentava a todos nós era poder contar com a graça de um Deus que nunca se cansa de nos constranger com o seu imenso amor. Pediatra, Alergologista, Gastropediatra, Nutricionista. O Leonardo, com menos de três meses, já tinha mais médicos que eu. Muita oração, muita frustração, nada mudava, tudo igual todos os dias. Muco e sangue nas fezes. Todas as médicas me orientaram, inicialmente, a fazer uma super dieta de restrição alimentar a quase tudo, já que eu estava amamentando e o que eu comia passava para o meu leite. Leites e derivados, soja, ovo, carne vermelha, trigo, tudo isso não fazia mais parte de mim. Nem contaminação cruzada era permitido. Ou seja, precisamos comprar tudo novo para a nova bebê que nascia junto com o Léo – eu. Pratos, talheres, panelas, esponjas. Comer fora de casa era impossível. Convivência social, quase zero. Sentimento de solidão profunda. O medo só aumentava, mas a certeza de que tudo daria certo e que a cura do Léo viria nunca saiu do meu coração atribulado de mãe.

Pensei ter chegado no meu limite diversas vezes, pensei em desistir inúmeras. Fui fraca, egoísta, triste, infiel à Deus, impaciente com o meu marido. Enquanto isso, assim como o Leonardo, eu ia aprendendo tudo novo; valores novos, enfrentamentos e desafios que precisavam ser vencidos. Não consigo lembrar quantas noites passei acordada desejando comer alguma coisa quando não podia. Em uma noite, quis tanto comer pão carioquinha com ovo que chorei. Chorei! Chorei muito! Chorei diversas vezes! Chorei em silêncio! Chorei no colo do meu marido. Chorei em conversas incansáveis com Deus e Nossa Senhora. Chorei conversando com meus pais e amigas. Chorei na terapia. Até que, no dia em que chorei com o meu filho no colo, olhando pra mim, por meio de um sorriso, vi ele dizendo: não chora, mãe, que eu sou o motivo da sua maior alegria! Louve a Deus por tudo o que temos passado! Levantei e sorri. Cantei. Louvei a Deus por estar vivenciando exatamente o sacrifício da salvação, por estar sendo fiel aos planos do Pai. Ele já havia me garantido que a cura do Leonardo viria através de mim. E, nesse dia, quando percebi que era exatamente isso que estava acontecendo, fiquei feliz. Feliz porque experimentava, mais uma vez, a graça de Deus em minha vida. As médicas que estavam acompanhando o caso, já haviam me pedido para suspender a amamentação desde os dois meses de idade do Léo. Aquilo não calava em meu coração e sabia que não era o que Deus me pedia. Fui desobediente e, hoje, agradeço por isso, porque, nesse caso, não fosse a minha insistência na desobediência às coisas do mundo, teria desistido daquilo que vinha do céu, daquilo que vinha do próprio Deus para mim e para a minha família. Hoje vivemos do sustento dessa graça!

Muitas pessoas estiveram em oração por nós e esse foi o alimento que mais me sustentou e do qual de forma alguma me privei. Rezei muito! Participei de um encontro chamado “Toda Mãe Precisa de Oração”, promovido pela minha cunhada Paula e pelas minhas amigas Tici e Aninha. Fui certa de que não dava mais e, lá, ouvi um testemunho de fé que falava de coragem, e foi assim que Deus me conduziu, me colocou no colo e mais uma vez me deu coragem para caminhar. Os dias iam seguindo, a vida passando, meu filho crescendo saudável, mas nada fazia com que as benditas fezes melhorassem. Era frustrante, me entristecia e só fazia pensar em desistir. Mas Nossa Senhora sempre sorria para mim e dizia: “ainda não é a hora. Consagre seus ouvidos a mim e ninguém mais no céu terá maior autoridade que você para pedir pela cura do seu filho. Espere!”

Até que uma das primas da minha mãe, comentou com ela sobre uma missa de cura na Comunidade Shalom. Minha mãe me chamou e já fazia tempo que eu tinha o desejo de ir, mas faltava coragem porque é sempre muito lotada. Porém, com o chamado da mamãe, entendi de forma diferente. Senti que Nossa Senhora se utilizou dela para me mostrar que a cura estava mais próxima do que nunca e que Deus queria fazer em mim uma obra nova. E fomos! Chegamos cedo para pegar cadeira e garantir nosso lugarzinho, onde tínhamos a expectativa de vivenciar o céu naquela noite. Foi exatamente isso que aconteceu! Cantamos, rezamos, choramos. Minha mãe, linda e especial, sabia o que eu estava sentindo e vivendo. Ela levou guardadinha na bolsa uma fotografia do Léo, a mais linda que ele tem até hoje, para a hora da oração com o Santíssimo. O momento mais esperado da noite chega! Jesus iria caminhar entre a multidão e olhar de forma carinhosa para cada um. Eu, discreta, caladinha, com os olhos fechados e rezando, pensei: “é nunca que Jesus vem até mim. Uma coitada, pecadora, pequena, cheia de defeitos, com tanta gente precisando de coisa bem maior!” Na verdade, para mim, era a maior coisa do mundo que eu pedia: a cura do meu filho. E só rezei! Me senti chamada, naquela hora, a olhar para ele e, de repente, o padre Antônio Furtado vira em minha direção. Eu, até então, nem percebia que Jesus vinha a mim! Ele parou na minha frente como quem dizia: “quem lhe falou que você não pode pedir pelo seu filho? Você tem o maior poder para pedir por ele. O que você precisa?” Olhei para o lado e a minha mãezinha estava segurando a foto do meu filho. Puxei a fotografia dela como quem puxa o pirulito da boca de uma criança e espera sentir o gosto da felicidade. O padre encostou a foto dele no Santíssimo. Ainda consigo lembrar como o meu coração ficou naquela noite, como minhas pernas estavam bambas, como senti o meu Deus de perto. Abracei a minha mãe e chorei. Chorei muito, mas foram lágrimas de cura! Tive a certeza de que meu filho estava curado ali. No dia seguinte, nunca esperei tanto que o Léo fizesse cocô. Acreditem: ele fez e estava tudo normal como nunca esteve por 5 meses! E, assim, a promessa se cumpriu! Leonardo estava curado! Todas as outras vezes foram normais, até hoje! Meu filho foi curado pelo Senhor através de mim, como foi dito desde o início de tudo e eu não entendia. Não desisti, não ouvi ninguém, fui até o fim! O fim era a graça alcançada. Leonardo mamou por 6 meses e duas semanas e parou quando achou conveniente.

Hoje, estamos aqui para agradecer! Havia falado a Deus que faria um outro sacrifício além de muitos que já estava fazendo se ele ficasse bom. Prometi que entregaria a minha vaidade ao Senhor e não faria a festa de aniversário de um ano do Leonardo. Prometi que viria até a Sua casa para dizer muito obrigada por tudo o que Ele fez por mim e pelo meu filho. Era nesse lugar que Ele nos queria. Louvando e agradecendo pelo dom da vida do Leonardo. Apresentando a ele o que realmente tem valor no céu! Reconhecendo que não existe festa mais linda do que aquela que é preparada por Ele. 

Agradeço de forma especial aos meus pais e ao meu marido e a tantos outros familiares e amigos que rezaram e nos ajudaram a chegar até aqui. O maior presente que posso lhes dar é a certeza da minha oração diária porque quero ver no céu o olhar e o sorriso de cada um junto de mim.

Todos sabem do tamanho do sacrifício de não ter feito a festinha do meu filho, do meu primeiro filho. Mas promessa é promessa. A vaidade precisou calar para que a Graça de Deus falasse. A roupa de veludo, aquela cheia de detalhes prateados, me ensinou a chegar até aqui sabendo escolher pela melhor parte, valorizando outras riquezas! E vocês são parte dessa riqueza, são os balões que enfeitaram a festa do meu filho, que coloriram a nossa noite com alegria e pureza.

Se minha missão é mostrar e ensinar ao meu filho o que realmente tem valor, traz ele aqui! Olha, filho, quantos balões a mamãe e o papai prepararam para sua festa! Investimos o que tínhamos e o que não tínhamos por esses balões, filho, e olha como valeu a pena! Olha como a sua festa está linda! Sabe quem fez tudo? O papai do céu! Agradeça a Ele! Ele que preparou cada detalhe!

O Senhor me ensinou com toda a privação alimentar que minha casa era o melhor lugar nessa vida e que muitas vezes eu passava tanto tempo fora que não conseguia ver o valor de cada cantinho. A comida de lá tinha um sabor especial que nenhum restaurante, por mais caro que fosse, tinha. Me arrumar para dormir e esperar meu marido depois do trabalho passou a ter um novo significado. Escolher o “look” para amamentar era divertido. Hoje, meu novo lar é assim: preenchido de amor! Alegre, recheado de sorrisos e gargalhadas altas, gritos de adultos e de bebê brincando, construindo uma relação de amor único e sincero. O que já era especial a dois, é muito melhor a três! Com um novo sentido.

Mais uma vez, aquela roupa de veludo azul com prata, está lá no guarda-roupa, pendurada. Olho para ela todos os dias e lembro do quanto vale a pena quando nossos sonhos se juntam com os de Deus e Ele nos ensina diariamente a escolher pela melhor parte. Por Ele. 

Lisiane Frota Oliveira Viana